O Salto é a primeira parte deste díptico teatral de Tiago Correia dedicado à temática das migrações. A peça mergulha numa noite trágica do início da década de 1970, acompanhando um grupo de jovens que, por diferentes motivos, tenta atravessar clandestinamente a fronteira em direção a uma Europa desconhecida. Após um acidente de carro nas proximidades da fronteira, gravemente feridos e no meio de uma busca policial, veem-se confrontados com escolhas difíceis sobre quem segue em frente e quem fica para trás. Situada no contexto da emigração clandestina durante o Estado Novo, a peça convoca um passado muitas vezes silenciado da história portuguesa, marcado pela pobreza, pela repressão da ditadura e pela fuga à guerra colonial, trazendo para cena as circunstâncias difíceis em que muitos partiram do país.
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Sul situa-se cerca de cinco décadas depois dos acontecimentos de O Salto. A ação decorre na atualidade e acompanha Michelle, uma jovem francesa de ascendência portuguesa que viaja até ao sul do país à procura de um homem que pode ser o seu avô biológico. À medida que se aproxima desse passado familiar, Michelle confronta-se não só com os contornos obscuros da existência desse homem, mas também com a realidade de uma comunidade de migrantes marcada pela precariedade e pela exploração. Construída como um drama familiar intergeracional, Sul cruza memórias, ausências e reencontros, explorando o impacto das separações e o modo como as histórias migratórias atravessam gerações.
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Através de duas situações-limite separadas por cerca de cinco décadas, o díptico cruza histórias de partida e de chegada para refletir sobre o que é ser migrante hoje e os dramas de viver, aqui ou em qualquer lugar, na condição de estrangeiro, num tempo em que se volta a sentir a ameaça de retrocessos nos direitos fundamentais conquistados.
© Francisco Lobo
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